
A Secretaria de Estado de Saúde Publica (Sespa), por meio da Coordenação Estadual de Infecções Sexualmente Transmissíveis e Aids (IST/Aids) e Hepatites Virais, realizou nesta quinta-feira (07), em Belém, o treinamento para manejo clínico da sífilis, HIV e hepatites B e C para as maternidades. A atividade tem como objetivo capacitar quanto ao manejo adequado nos cuidados para evitar a transmissão vertical dessas doenças, atualizando os profissionais sobre os protocolos para redução de riscos de infecção em recém-nascidos.
Ocorrido no auditório do Nível Central da Sespa, o curso foi direcionado aos profissionais da Região Metropolitana de Belém que atuam nas maternidades em contato direto com os recém-nascidos, como enfermeiros, médicos neonatologistas e farmacêuticos. Voltada também aos profissionais de municípios que compõem o Projeto “Sífilis Não”, como Marabá, Belém, Marituba, Bragança e Parauapebas -, a atividade ainda chamou a atenção dos participantes para o Dia Nacional de Conscientização à Sífilis - 16 de Outubro.

Incentivo ao diagnóstico- Durante todo o dia da capacitação houve debates e orientações para qualificar os profissionais sobre o manejo adequado, a importância das notificações dos casos à vigilância em saúde e construção das metas para o controle da transmissão vertical do HIV, sífilis e hepatites B e C nas parturientes atendidas na linha de cuidado em maternidade localizadas no Pará. Destacou-se, ainda, o incentivo ao diagnóstico correto, oferta oportuna de tratamento e vinculação da paciente à rede assistencial e adesão ao tratamento.
Ao discorrer sobre o tema “Rastreio das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) na admissão para o parto”, a enfermeira e biomédica Hildemar Fernandes, técnica da Sespa, explicou sobre a importância das ofertas dos testes para o diagnóstico do HIV, sífilis e hepatites B e C nas parturientes para definição das condutas adequadas e prevenção da transmissão vertical.
Ela frisou ainda a importância do papel da maternidade, considerada como a última oportunidade para o diagnóstico e tomada de medidas adequada para a prevenção de ISTs. Hildemar Fernandes destacou ainda a importância do tratamento adequado no momento da maternidade, seguindo as diretrizes dos protocolos instituídos pelo Ministério da Saúde.
“O apoio ao pré-natal e ao puerpério necessita de integração para trabalharmos em conjunto e melhorarmos a saúde materna e infantil em se tratando do risco de transmissão vertical das ISTs. Mas o momento mais importante e de maior risco é durante o parto, daí a importância de se agir nessa ocasião. Quando o bebê nasce, é preciso que tome imediatamente as medicações caso esteja sob alto risco, por exemplo, gerado de mulheres que não tiveram a oportunidade de ter o diagnóstico de HIV durante a gestação e somente descobriram na hora do parto”, explicou a técnica da Sespa.

Contaminação e tratamento- Segundo informações do Ministério da Saúde, as ISTs são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos, e transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de camisinha masculina ou feminina, com uma pessoa que esteja infectada, ou da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou amamentação.
Quanto ao HIV é necessário iniciar o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com medicamentos antirretrovirais e acompanhamento nos Serviços de Atenção Especializado (SAE), visando à boa adesão ao tratamento. A medida melhora a qualidade de vida e interrompe a cadeia de transmissão. O atendimento, o diagnóstico e o tratamento são todos gratuitos nos serviços do SUS.
A transmissão do HIV ocorre no contato com sangue ou fluidos infectados. Entre mãe e filho, a transmissão pode ocorrer durante a gestação, no momento do parto ou na amamentação. Para evitar, é necessário iniciar o tratamento com medicamentos antirretrovirais com urgência. Em gestações planejadas e acompanhadas por profissionais de saúde, o risco de transmissão da mãe para o filho é menor que 2%.
A hepatite C é causada por um vírus (HCV), que provoca inflamação do fígado. A transmissão se dá pelo contato com sangue contaminado, por via sexual e por transmissão vertical (da mãe para o filho).
Na maioria dos casos, a forma aguda da doença não apresenta sintomas, o que dificulta o diagnóstico e o início do tratamento. Como consequência, 60 a 85% dos casos se tornam crônicos e 20% evoluem para cirrose.