
Só no primeiro quadrimestre de 2022, a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), um dos principais braços da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), investiu cerca de R$ 10 milhões em apoio aos mais diversos projetos voltados às mais diferentes áreas do conhecimento e que buscam soluções para grandes desafios enfrentados pelo Pará, como sustentabilidade, equilíbrio econômico e social, etc. A expectativa é de que, até o fim deste ano, a entidade empenhe um total de R$ 70 milhões nesse tipo de fomento em Ciência, Tecnologia e Inovação - nada mal para uma frente que, há cerca de quatro anos, tinha um orçamento que não alcançava os R$ 4 milhões anuais.
O atual presidente da Fapespa, o professor Marcel Botelho, faz questão de dizer que a Fundação andou na contramão, no bom sentido, do resto do país, e não apenas não parou, mas recebeu incrementos orçamentários a cada ano por parte do governo estadual.

Para se ter uma ideia da presença, direta e indireta da Fundação, há, por exemplo, o apoio a projetos que querem mitigar consequências do efeito estufa, ou que contribuem com o fortalecimento da agricultura familiar, do desenvolvimento sustentável - que por sua vez compõe todo o escopo do Amazônia Agora, política estadual que estruturou a agenda de meio ambiente e economia rural para curto, médio e longo prazo.
"Diferente de outras fundações de amparo, temos estudos próprios, como o boletim da mineração, do agronegócio, notas técnicas sobre cacau, etc, estudos que produzimos e oferecemos ao estado - alguns obrigatórios por lei. Produzimos informação qualificada no tempo adequado para a tomada de decisão, tanto dos gestores, como também para o acompanhamento da população", destaca Botelho.
Para o presidente, se houve algum "lado bom" da pandemia da Covid-19 foi o fato de a população ter se dado conta do quanto a Ciência, a Tecnologia e a Inovação são absolutamente necessárias a todos, presentes e indispensáveis.
"Apesar da questão da temporalidade, que nem todo mundo compreende, e acha que se a gente investiu R$ 10 milhões em um quadrimestre, o resultado tem que ser imediato, houve uma conscientização sobre a importância da pesquisa. Esses quatro meses provavelmente em dois, quatro anos terão um resultado prático em alguma tecnologia que será decisiva em algum momento. Alguns resultados não podem ser apressados, dependem do tempo. Mas se não começar hoje, agora, será mais um dia, mais uma demora", explana Marcel.
AMZ- O Sistema de Certificação Amazon (selo AMZ) é um dos projetos apoiado pela Fapespa, e visa fomentar políticas que expressem valores, condutas e procedimentos estimulantes ao contínuo aperfeiçoamento dos processos empresariais, por meio da identificação das empresas comprometidas com as boas práticas ambientais, como a utilização de tecnologias e metodologias limpas, reciclagem e geração de impactos sociais positivos. Assim, o projeto busca alinhar valores econômicos com a preservação da biodiversidade amazônica.
Marcel Botelho ressalta que a iniciativa bate com uma meta do próprio governo do Estado de priorizar equilíbrio entre conservação e produção.
"Conservação pela conservação não traz a segurança alimentar, produção sem conservação não garante elementos que a sustente. Essa é uma fala frequente do governador Helder Barbalho, baseada em Ciência", afirma.
Thais Braga é coordenadora do AMZ, projeto institucional que nasceu na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e já chegou a quatro municipios promovendo certificação ambiental de diversas cadeias produtivas da agricultura familiar de forma 100% gratuita.
