A volta do X, antigo, Twitter parece não ser apenas um acaso, ou instabilidade na rede como o STF achou que fosse e sim um drible de Elon Musk. Na realidade, usuários mostram no código do Twitter uma pequena mudança, mas com impactos gigantes. A rede social começou a voltar a funcionar para diversos brasileiros nesta quarta-feira (18) após um bloqueio de quase 20 dias.
A manobra, segundo a Associação Brasileira dos Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), envolveu uma atualização no aplicativo que alterou a forma como os servidores da plataforma se conectam à internet.
Em nota, a Abrint disse que em vez de utilizar endereços IP (endereço exclusivo que identifica um dispositivo na internet ou em uma rede local) diretos e facilmente identificáveis, o X passou a utilizar um serviço de proxy reverso, que dificulta o rastreamento e o bloqueio.
A atualização no app, que já está em funcionamento, passou a utilizar endereços de IP dinâmicos fornecidos pela plataforma Cloudflare, o que dificulta significativamente qualquer tentativa de bloqueio por parte dos provedores de acesso à internet.
Diferente do sistema anterior, que utilizava IPs específicos e passíveis de bloqueio, a nova estrutura baseada no Cloudflare compartilha IPs com outros serviços legítimos, como bancos e grandes plataformas de internet.
O órgão informou que, isso significa que o bloqueio de um único IP poderia comprometer o funcionamento de outros serviços cruciais para o ecossistema digital, o que exige uma análise técnica mais aprofundada e orientações claras da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Mas o que isso significa na prática?
Imagine que o X fosse uma casa com um endereço específico na rua. Para bloquear o acesso a essa casa, a Anatel colocou uma placa na porta dizendo "Proibido entrar".
No entanto, o X encontrou uma forma de mudar de endereço sem avisar ninguém. Agora, em vez de ir diretamente para a casa, as pessoas podem usar um atalho que leva ao mesmo lugar, mas com um endereço diferente.
Essa mudança técnica tornou o bloqueio muito mais complexo, pois ao tentar bloquear o novo endereço, a Anatel também bloquearia outros sites que utilizam o mesmo serviço de proxy, como sites de bancos, governos e grandes empresas.
De acordo com a agência de notícias Reuters, uma fonte do Supremo Tribunal Federal afirmou que o bloqueio da rede social se mantém em vigor e que o STF está checando a informação sobre o acesso ao X por parte de alguns usuários.
A Anatel, agência reguladora das telecomunicações, informou que está investigando a situação, mas ainda não há uma posição oficial sobre como proceder.
A rede de Musk foi bloqueada em 30 de agosto após descumprir uma série de ordens judiciais e se negar a indicar um representante legal no país.