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Candidato de Beto Faro em Soure recebe apoio de Nicolas Moraes, “operador das OS” da saúde

Posto em prisão domiciliar pelo ministro Dias Toffoli “por questões humanitárias”, responsável pelo desvio de R$ 300 milhões na pandemia voa livre no Pará.

Redação
Por: Redação Fonte: Portal Olavo Dutra
29/09/2024 às 13h28
Candidato de Beto Faro em Soure recebe apoio de Nicolas Moraes, “operador das OS” da saúde

Quem pensa que já viu de tudo nas eleições deste ano no Pará está redondamente enganado. A exatamente uma semana das eleições 2024, a disputa em Soure, no Marajó, não é fácil, aliás, acaba de se tornar complicada: desceu lá, usando um helicóptero, um personagem que deve incomodar pelo menos algumas centenas de mortos sepultados pela pandemia de covid, já que os vivos, pelo que se vê, seguem mais “vivos” do que nunca. Atende pelo nome de Nícolas (Tsontakis) Moraes, classificado pela Polícia Federal como “operador das OS” na pandemia.

Três nomes concorrem à Prefeitura de Soure: Paulo Victor Lima, do MDB, Nic Júnior, do PT, e Fagundes Gomes, do Rede, com disputa polarizada entre os dois primeiros.

Paulo Victor Lima é candidato apoiado pelo governo do Pará, não apenas por ser do MDB, mas também por ser filho do deputado Iran Lima - líder do governo na Assembleia Legislativa - com a prefeita de Moju, Nilma Lima. Do outro lado, o professor Nic Júnior, detentor de longo currículo acadêmico para seus 37 anos de idade, é apoiado pelo senador Beto Faro e a mulher dele, deputada federal Dilvanda Faro, do PT.

Com quem andas...

Além de essa polarização ferir frontalmente os interesses do governo do Estado em eleger o filho de Iran Lima, disputando a vaga com um aliado - Beto Faro -, também envolve relacionamentos considerados “más companhias”. Na última semana, o professor Nic Júnior foi flagrado em calorosa recepção a Nícolas André Mores, o Nícolas Tsontakis, acusado de desviar, pelo menos, R$ 300 milhões dos cofres estaduais de recursos destinados aos hospitais regionais entre o ano de 2019 a 2021, incluindo dinheiro dos hospitais de campanha montados para enfrentar a pandemia de covid-19.

A dinheirama surrupiada dos cofres públicos já representa, por si só, uma cifra assustadora, mas esse valor, segundo a Polícia Federal à época da prisão de Nicolas, em agosto de 2022, era apenas a “ponta do iceberg” do que a quadrilha chefiada por Nícolas conseguiu “lavar” com a compra de carros de luxo, aviões, gado e fazendas. Para a PF, Nícolas era o “operador das OS” picaretas.

Contratos milionários

A PF acredita que os valores reais do roubo foram muito maiores, já que os contratos fraudulentos chegaram a R$ 1,2 bilhão com organizações sociais que gerenciavam os hospitais, obtidos na época em que Nicolas tinha trânsito livre junto ao governo do Pará, e indicou nada menos que quatro organizações sociais indicadas.

Nícolas Moraes foi preso em agosto de 2022 pela PF comandando fazendas. À época, o delegado do caso afirmou que em muitos dos diálogos de quadrilha investigada, os desvios eram superiores a 50% daquilo que era repassado para as organizações sociais usadas por Nícolas. “Eles estavam mais preocupados em desviar esses recursos da saúde para compra de gado, de fazenda, de carros e aviões do que efetivamente utilizar nos hospitais", disse o delegado federal.

Brincando de médico

De tanta intimidade com o dinheiro da saúde, atacando seus cofres, Nícolas Moraes parece acreditar também que absorveu conhecimentos suficientes para ‘brincar de médico’. Informações chegadas à Coluna Olavo Dutra apontam que Nícolas foi visto “atendendo” como médico em Capanema, onde reside e deveria cumprir prisão domiciliar - benefício concedido pelo ministro Dias Toffoli “por razões humanitárias”.

De fato, no momento em que é recebido em Soure pelo professor Nic Júnior, Nícolas surge de dentro de seu helicóptero completamente vestido de branco, a cor eleita para a prática da medicina ainda no início do século 19, quando o médico húngaro Ignaz Semmelweis provou que muitas doenças vinham da falta de higiene dos hospitais. A partir daí, o jaleco branco e limpo virou norma, evitando que a sujeira passasse despercebida. Se Semmelweis soubesse o que fazem hoje com a “roupa branca de médico...”

Apoio peso-pesado

Além desse pesado apoio de Nícolas - fique claro desde já:  a coluna não está fazendo trocadilhos -, o professor Nic Júnior também é apoiado pelo senador Beto Faro e pela deputada, Dilvanda Faro, que esteve em Soure para lançar a campanha de Nic, momento em que fez um forte discurso contra a “importação” do candidato do MDB, em referência ao filho de Iran Lima.

“Não precisava trazer gente de fora. Nós precisamos de um prefeito comprometido com Soure, com a população de Soure. Vim aqui para dar esse recado e venho muito mais vezes, porque não pouparei esforços; e na hora que eu tiver um tempo na agenda eu estarei aqui para apoiar Nic Júnior”, declarou a deputada na ocasião.

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